Não intendia o que estava passando, mas me sentia diferente dos outros
meninos. Todos esperavam a hora da Educação Física para poder passar aqueles
tão sonhados 50 minutos jogando futebol. Nunca consegui intender tamanha
felicidade em ficar correndo atrás de uma bola feito bobos, transpirando, e se
ofendendo durante aquele jogo, mas bem quem sou eu para julgar.
Fim da aula e finalmente o sino toca, eu feliz e com muita fome apenas
digo graças a deus acabou, a professora “louca” hoje vejo e intendo o porquê
desta afirmação, me chama e diz que vai me dar uma ficha de advertência pela
gracinha. Na hora fiquei sem intender e me perguntando o porquê de tal
atitude... fui para casa, e com medo da reação de meus pais tentei esconder
aquela advertência de todas as formas, porem minha mãe sempre com o costume de
futricar em minha mochila viu a mesma, e ai tudo começou, as broncas, brigas, e
por ai vai... porem ao meu intender era apenas uma criança, tinha apenas 13
anos de idade.
No dia seguinte meus pais me acompanharam a escola, e junto vieram
reclamações onde professores diziam que eu não fazia as tarefas que passavam
para casa, que eu não me comprometia com as coisas, que eu nunca fazia esporte
com os meninos, que eu era diferente...
Mais uma vez eu acabei apanhando, sim obvio que eu sabia que não era um
menino tão bom e aplicado como queriam, porém, não me sentia bem ali, não
gostava daquele ambiente e não tinha vontade de estudar, e eu não me sentia bem
ali, porem nesta época não te saberia explicar a razão.
O ano foi passando e eu comecei a me aplicar mais, até mesmo porque minha
mãe ficava em meu pé direto. Voltávamos da educação física onde todos os
meninos estavam transpirados e fedendo, e um quem não ia muito com minha cara,
me pega e bagunça meu cabelo (sim eu tenho cabelo cacheado), naquele momento eu
fiquei roxo de raiva e fui para cima dele, onde eu o esmurrava e gritava para
nunca mais tocar em mim. A professora que era a mesma que havia me dado
advertência começou a me chama de louco, que era para eu ira sala do diretor,
mas até então para mim eu não havia feito nada demais, apenas me defendido,
coisa que ninguém daquela escola fazia por mim... na hora de ir embora vejo que
o carro do meu pai estava estacionado na frente da escola, porem estava
trancado, ele se encontrava na sala da direção. Saindo não me disse nada, apenas
entramos no carro, no meio do caminho eu o olho e o vejo chorando, ele meio sem
jeito me olhou e disse: “O que eu vou mostrar a meus amigos”. Eu sem intender
nada não respondi... quando chegamos em casa minha mãe estava chorando muito,
quando ela me viu me abraçou e só disse que tudo ia resolver que íamos ao
psicólogo e tudo ia ficar normal...
E foi assim por 5 anos, psicólogos, igrejas, tentando tirar o demônio de
onde nunca existiu... devem estar se perguntando o que aconteceu na direção
né?? O diretor no dia da briga ligou para minha mãe e disse: “Senhora, eu
estive observando seu filho desde o maternal, hoje ele está terminando a oitava
série, e eu tinha esperança de que ele mudasse com o tempo, mas hoje vejo que
isso não vai acontecer, e eu digo que seu filho é gay!”
Eu nem sabia o que significa ser gay, e alguém já dizia isso com toda
convicção, minha vida ficou pior durante os 5 anos que passaram, trocando de
escolas, psicólogos, família criticando pelas costas, minha mãe sempre
chorando, meu pai sem olhar em minha cara, e por aí vai. Digamos que foram os 5
anos de inferno, porem eu iria descobrir a partir daí que o inferno estaria
apenas começando.
**********
As vezes essas lembrando hoje em dia batem e me fazem intender tantas
coisas no passado, como por exemplo o por que os professores me odiavam tanto.
Não era por mim e sim pelo fato de eu ser gay. O por que a louca agia como agia
comigo, não era por ser louca e sim por me odiar... eu vim intender isso muitos
anos depois, quando eu já estava formando na faculdade de Enfermagem e havia
começado a dar aula. E não era apenas ela e sim outras... de todas as
professoras que tive eu conto nos dedos as que realmente gostavam de mim, eu
vou falar aqui no decorrer quando for contando fatos do passado e q me fazem
pensar no hoje em dia a perseguição que eu sofria, e me fazem perguntar o
porquê de fazer isso com uma criança que ainda brincava de carinho e boneca
algumas vezes escondido. Será que nunca pensam na criança? No que ela sente e
em como ela se sente? Se é ela quem quer assim ou se é algo natural onde ela
não controla isso.
Hoje tenho 31 anos. Nunca mais encontrei essa professora, porem confesso
que ainda tenho o rancor no peito e uma vontade grande de reencontrar a mesma
apenas para mostrar a ela o que eu sou hoje. Não eu não vejo isso como
vingança, apenas um desejo de mostrar que aquela criança que ela tanto odiava
cresceu e é uma pessoa machucada e magoado pela ignorância dela, pois uma
pessoa que trabalha com a educação de crianças ao meu ver não poderia agir como
ela e muitas outras agiram quando se tratavam a mim.

Nenhum comentário:
Postar um comentário